Sem me estender demais na introducão (como faco sempre!), gostaria apenas de dizer que pra entender este texto você terá de saber que meu pai me disse diversas vezes: “O maratonista não corre contra ninguém, a não ser contra si mesmo!“
Essa semana estava pensando no artigo que eu deveria ter escrito a muito tempo: minhas experiências na Maratona do Rio de Janeiro (2007).
Depois de treinar pra correr a maratona de Helsinki e ter fracassado por causa de uma contusão, eu não poderia deixar passar esta oportunidade! Ia ao Rio de Janeiro, já havia dito à diversas pessoas que correria a Maratona do Rio, já tinha feito o depósito da inscricão e agora não tinha mais volta.
Eu sabia que se quisesse ao menos terminar a maratona eu deveria aumentar o número de kilometros que estava habituado a correr. Sim, esse era o meu objetivo: Não morrer! Talvez ainda sob a influência da frase de meu pai, talvez consciente de que eu NUNCA conseguiria competir com os favoritos.
Tudo o que sei foi que cheguei a correr 55 km semanais e um total de 1570 km em um ano e meio (ficando 4 meses parado). Impressionante pra quem o-di-a-va correr! Hoje, me sinto mal por não poder correr (devido à outra contusão, digo, a mesma; só que em outro pé).
OK, o artigo comeca oficialmente aqui
Sem descrever km por km, porque acreditem, tempo é o que não falta quando se corre uma! E ao correr uma, você pensará em Deus, pensará “o que eu estou fazendo aqui?”, pensará naqueles que estão esperando, lembrará de versículos bíblicos… Nossa, são tantas e tantas coisas que na verdade você não vê o tempo passando. E a dor? Você aprende a conviver com ela!
Tive tempo suficiente também pra associar a Maratona à nossa vida Espiritual. De como todo o treinamento que recebemos como Cristãos (diariamente) é posto à prova justamente quando mais precisamos.
Na maratona também nos sentimos sós, apesar de haverem várias pessoas correndo conosco. Na maratona, sentimos que não conseguiremos chegar ao final. Temos vontade de desistir, sede, vontade de ir ao banheiro (acho melhor parar por aqui), etc. Parece que nunca chegaremos!
E não é a mesma coisa que acontece conosco espiritualmente falando? As vezes estamos abatidos, desanimados, cansados, sem esperanca, magoados, machucados, e com vontade de jogar tudo pro alto. Mas é tudo parte da corrida! “Se fosse fácil, todo mundo correria uma maratona!” (dizia meu pai). Parafraseando-o, “Se fosse fácil, Jesus não teria dito que no mundo teríamos aflicões!“
Bom, correr uma maratona não é só coisa ruim. Tem o lado bom de saber que na linha de chegada você receberá um reconhecimento pelo seu esforco. E talvez o que mais me motivou, foi o fato de saber que haviam pessoas que torciam por mim. Ambas situacões assemelham-se à nossa vida Espiritual. Nossa recompensa receberemos no céu pela nossa fidelidade. E em caso você não saiba, existem pessoas que oram por você e te encorajam na sua caminhada com o Senhor (além daqueles que já se foram e torcem por nós também!).
Uma coisa que abate MUITO é o fato de ver-mos pessoas desistindo no meio do caminho; mas o que arrasa a gente mesmo, é ver gente sendo carregada por ambulâncias! Isso não tem como deixar a gente calmo! Só se pensa: “Será que a pessoa está bem? Será que sobreviverá? Será que foi só um susto? Serei eu o próximo?“
Uma coisa maravilhosa a Maratona me ensinou: A dor nunca é tão forte que a gente precise desistir! Na vida espiritual é a mesma coisa! A tribulacão, a luta NUNCA é tão forte que precisemos abandonar nossa fé!
Eu me tornei um outro homem depois de correr uma maratona (e recomendo a todos!)! Hoje não reclamo tão facilmente de dores musculares, nas articulacões e principalmente; se tiver de fazer alguma coisa, EU FACO! Espero também ter me tornado menos reclamão pra Deus e mais determinado!
Fiquem Firmes!
Ps.: Pra quem quiser ver mais fotos do meu sofrimento, clique aqui.